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Pequenos negócios: como lidar com o trabalho em família

Postado em: 23 de Maio às 03:29 Por Gabriel Sestrem

Aspecto emocional pode afetar relacionamento durante isolamento social. Confira dicas para manter a harmonia entre os membros da família no seu empreendimento!

Você sabia que, de acordo com o Sebrae, 85% das empresas brasileiras são familiares? Outro importante número apontado pelo Sebrae, em 2019, é que, no Brasil, as micro e pequenas empresas representam 99,1% do total registrado. São mais de 12 milhões de negócios, sendo que 8,3 milhões são microempreendedores individuais (MEI). Com esses dados, percebemos que a grande maioria das empresas brasileiras é composta por pequenos negócios tocados por famílias.

Em meio ao cenário de isolamento social, com reflexos não apenas na saúde pública, mas também na atividade econômica e até mesmo no bem-estar emocional de boa parte dos brasileiros, é inevitável que os impactos desse cenário alcancem o dia a dia dos pequenos negócios de alimentação tocados por membros de uma mesma família.

Nesse sentido, há membros de famílias empreendedoras cuja proximidade não se restringe ao período de trabalho, e mesmo após o fim do expediente, permanecem juntos, na mesma casa. Esse cenário já carrega seus desafios próprios, porém, em meio à quarentena, a questão emocional pode ser um agravante, e fatores como o estresse e a preocupação com a saúde e com os negócios precisam ser contornados com ainda mais cuidado para manter a harmonia entre os membros da família.

SALGADINHOS DA NEIDE

Esse é o caso de quatro empreendedoras de uma mesma família do município de Currais Novos, no Rio Grande do Norte: as três irmãs – Vanessa, Amanda e Luísa  – junto com a mãe, Maria Albaneide, tocam um negócio de salgados inaugurado em 2016. Desde que elas tiraram do papel o empreendimento próprio dando início ao Salgadinhos da Neide, a rotina da família é de grande proximidade entre os membros: Maria Albaneide mora com as duas filhas mais novas, enquanto Amanda, a irmã mais velha, mora com o marido. Porém a rotina de trabalho das quatro empreendedoras é intensa, e elas passam muitas horas do dia juntas.

Agora, no período de isolamento social, Vanessa conta que, apesar de as vendas estarem indo bem e o aspecto financeiro estar sob controle, graças a adaptações que as empreendedoras fizeram para o período de quarentena, a questão emocional acaba atrapalhando um pouco no dia a dia de trabalho.

“A parte emocional pegou mais. A gente fica com medo de pegar a doença e ter que parar de trabalhar. E com esse medo acabamos ficando ansiosas. Tem dias em que uma fica um pouco mais estressada ou preocupada, e percebemos que isso afeta o trabalho. Nosso negócio depende muito das vendas on-line, e tenho percebido que até mesmo a criatividade acaba faltando na hora de criar uma postagem no Instagram, por exemplo. Mas sempre buscamos criar formas de minimizar os conflitos que eventualmente surgem, e isso tem ajudado muito durante esse período”, conta a empreendedora.

Vanessa explica que, ao longo dos quatro anos de empreendimento, a família aprendeu a superar os conflitos próprios da intimidade entre as integrantes no dia a dia do negócio. Nisso, foi fundamental entender a importância de dividir corretamente as funções para não gerar problemas, por exemplo, nas entregas dos salgados. Além disso, a empreendedora conta que melhorar a comunicação entre elas foi essencial para gerenciar os conflitos. “Eu acho que por termos bastante intimidade, é fácil entrar em conflito ainda mais frequentemente do que trabalhando com pessoas que não são da família. Mas melhorar a divisão de funções e a comunicação entre nós foi um grande passo para que hoje, mesmo com as dificuldades do momento, conseguíssemos lidar com tudo de uma forma melhor”, destaca Vanessa. Além da comunicação pessoal, ela conta que as quatro empreendedoras criaram um grupo no WhatsApp para registrar todas as informações importantes que ocorrem ao longo do dia de operação para que todas estejam por dentro e nenhum detalhe passe despercebido.

DIÁLOGO E RESPEITO ENTRE OS MEMBROS

Para a professora de empreendedorismo criativo Rafa Cappai – que também é empreendedora e trabalha com a irmã na escola de empreendedorismo Espaçonave e com o marido na escola de vídeo Marketing Punch – , dentro do contexto do isolamento social passa a ser ainda mais importante seguir a receita para lidar melhor com as dificuldades do relacionamento familiar e profissional, que é o diálogo, a separação entre a vida pessoal e a profissional e o respeito que deve haver entre os integrantes da famílias, sempre com profissionalismo e atenção ao outro.

“Dentro disso, é preciso ainda mais cuidado e respeito aos momentos pessoais dos familiares. É preciso proteger o espaço sagrado que é o espaço pessoal e a relação pessoal, evitando, sempre que possível, falar sobre assuntos do negócio fora do expediente de trabalho, explica Rafa Cappai. “Outro ponto importante é que o fato de os familiares terem intimidade não é motivo para falarem um com o outro de uma forma diferente da que falaria se fosse com outro colaborador que não seja da família. O respeito deve vir em primeiro lugar. É preciso sempre falar a verdade e ir à raiz da questão. Não precisa ter medo de conflito. Mas a maneira como esse conflito é discutido tem que ser respeitoso com todos, inclusive dentro da família”, explica.

A professora também aponta a importância de manter sempre uma postura de diálogo: “Não apenas em período de quarentena, mas em todos os momentos é importante que os membros da família que estão envolvidos no negócio estejam dispostos a conversar, a apresentar suas necessidades, a escutar o que o outro tem a dizer e a tentar construir uma parceria cada vez melhor de pouquinho em pouquinho, falando as coisas que precisam ser faladas e fazendo os ajustes que precisam ser feitos com respeito e profissionalismo”, finaliza.

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