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Empadovo e ovoxinha: oportunidades para quem vende salgados

Postado em: 01 de Abril de 2021 às 17:38 Por Paulo Henrique Ribas

A criatividade do empreendedor brasileiro é algo surpreendente. Vez ou outra, surgem guloseimas e pratos incomuns que acabam dando o que falar nas redes, como o empadovo.

Dividindo opiniões pela internet, o empadovo é uma tendência que tem aquecido as vendas de Páscoa de empreendedores que atuam exclusivamente com pratos salgados.

Desde 2019, quando a iguaria bombou nas redes sociais, diversos empreendedores do ramo de salgados passaram a oferecer o empadovo na época de Páscoa. Aliás, antes mesmo dele, em 2017, já havia sido criado o ovoxinha.

Academia Assaí - Empadovo e ovoxinha oportunidades para quem vende salgados - ovoxinha
Ovoxinha da Quituteria Raízes.

Como o próprio nome diz, o empadovo é uma empada no formato de ovo, que, assim como o ovoxinha, é recheado de frango. Além do sabor tradicional, diversos recheios foram surgindo ao longo dos últimos tempos. Hoje, é possível encontrar também sabores como bacalhau (que tem tudo a ver com a Páscoa), carne-seca, palmito e outros que agradam a qualquer paladar.

Ọmọro Umoja Afrika Òkòtó é um jovem que sempre buscou ser o mais prático e pragmático possível quando se trata dos assuntos que julga essenciais. O cuidado com a família, com a casa, consigo mesmo e com os seus sonhos sempre foi uma prioridade para o criador e proprietário da Quituteria Raízes. 

“O começo da minha relação com a culinária se deu mais por condição do que por escolha. Aos 18 anos, não sabemos o que realmente gostamos de fazer quando o assunto é trabalho. Para um homem preto da quebrada, recém-dispensado do exército, ter um emprego estável e uma perspectiva rápida de ganhos era superimportante”, comenta.

Sem mão de obra qualificada e pouca perspectiva de ingresso no ensino superior, Ọmọro afirma que foi acolhido pela gastronomia, uma vez que sempre teve bastante energia para trabalhar como ajudante geral, cumim e auxiliar de limpeza. 

“Sempre me destaquei por ser bem organizado e emocionalmente estável (risos). Com o passar do tempo, fui escalando postos... bartender, copeiro, garçom, auxiliar de cozinha, chapeiro, entre outros. Tenho bastante orgulho da minha trajetória trabalhando em restaurantes e hamburguerias gourmet (muito embora eu não acredite no mito da meritocracia) – é uma trajetória bonita”, completa.

O profissional conta que, a partir do momento em que começou a ganhar dinheiro suficiente para tirar sua mãe dos salões de beleza, ambos decidiram que iriam investir em sua autonomia. E isso se deu por meio da culinária, com salgados e doces para festa.

“São quitutes que minha mãe sempre fez muito bem, assim como cozinhar o trivial do dia a dia. Aprendi com ela enquanto adolescente e fazia suas marmitas quando somente ela sustentava nossa casa. O conhecimento gastronômico foi passado de geração em geração pela nossa família e, como prova disso, minha avó, hoje, é nossa principal ajudante na Quituteria Raízes”, afirma Ọmọro.

Exercendo uma profissão histórica

Ọmọro nos conta que a quituteira é uma profissão praticada há muito tempo na cultura africana, especialmente em Angola, como comércio urbano de salgados e doces para a conveniência de quem tem pouco tempo e está com um apetite diferente.

 As quituteiras sempre inovaram, com sabor e estética em suas criações, na linguagem da venda, na vestimenta, entre tantas outras coisas no ramo da culinária. 

No Brasil, a cultura foi trazida por mulheres negras escravizadas, que trabalhavam como “ganhadeiras”. Parte do dinheiro ficava para elas e o restante para o senhor da casa-grande. 

Com isso, muitas conseguiram comprar sua alforria e a de suas famílias, financiar fraternidades, comprar terras e subsidiar revoltas.

“A Quituteria Raízes é o produto do nosso amadurecimento enquanto empresários e pessoas pretas da quebrada, de família-raiz”, completa.

Empadovo como uma oportunidade para a expansão das vendas

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Empadas que deram origem à novidade.

O quituteiro afirma que eles são merecidamente reconhecidos como o estabelecimento com os melhores salgados da Zona Leste de São Paulo. Para ele, o empadovo surgiu como uma oportunidade muito grata, afinal, todos aqueles que já conheciam a empada da Quituteria Raízes ficaram tentados com a novidade.

“A aceitação tem sido ótima e os feedbacks ainda melhores. Chegamos a um público que ainda não tínhamos alcançado, como veganos e pessoas da grande São Paulo, que arcam com o custo de fretes altos para ter o empadovo da Quituteria Raízes”, completa.

Além do empadão tradicional, a Quituteria Raízes conta com sabores diferenciados no cardápio, como shimeji, lorraine e alho-poró com mix de queijos.

Diferenciais que trazem propósitos para o negócio

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Família reunida para a produção de Páscoa.

“O afeto e o amor com que fazemos os salgados é determinante para a procura e a aceitação das pessoas em relação à empresa e às novidades. Além disso, a identidade forte que a marca carrega, com um integrante assumidamente ativista africano, também consolida nossos diferenciais. As pessoas estão entendendo cada vez mais a necessidade de apoiar e subsidiar aqueles com os quais você compactua valores e princípios políticos, principalmente as que tem como objetivo trazer impactos sociais positivos, como a autonomia preta. E eu acho isso bom, para além dos negócios”, finaliza Ọmọro.

E você, já conhecia ou já produziu o empadovo ou o ovoxinha? Que tal aproveitar essa oportunidade para fazer uma renda a mais? 
 

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