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Como criar um delivery de marmitas saudáveis

Postado em: 23 de Junho às 14:54 Por Gabriel Sestrem

Com mercado de alimentação saudável em alta, delivery de marmitas é opção rentável, acessível e com poucas barreiras de entrada

O segmento de alimentação saudável passa por um crescimento considerável no Brasil, com o país figurando entre os principais consumidores dessa categoria de alimentos. De acordo com uma pesquisa publicada em 2019 pela Euromonitor, o Brasil está em 4º lugar em consumo de alimentos saudáveis. O segmento movimenta US$ 35 bilhões por ano em todo o mundo e cresceu 12,3% nos últimos cinco anos.

O mercado de alimentos e bebidas para pessoas com restrição a determinados ingredientes também está em rápida ascensão, deixando de ser apenas um nicho ou uma tendência para fazer parte do cardápio de diversos estabelecimentos. O estudo “25 tendências alimentares para seguir em 2020”, da Food and Beverage Magazine, aponta que 31% dos chefs pesquisados afirmam que é preciso ampliar o mix de produtos para dietas restritivas.

Em outras palavras, há uma grande demanda por alimentação saudável, seja ela devido à preocupação em consumir alimentos naturais, com menor quantidade de substâncias químicas; por questão estética (emagrecimento, ganho de massa muscular, entre outros); por restrição ao consumo de determinados ingredientes – como é o caso de pessoas intolerantes a glúten ou a lactose –; ou simplesmente pela opção de não consumir certos alimentos, como é o caso de vegetarianos e veganos.

Nesse cenário, o delivery de marmitas saudáveis tem surgido como um modelo de negócio promissor e acessível, já que se trata de um segmento em crescimento e que não impõe muitas barreiras de entrada a novos empreendedores. Para Thaiz Barde, proprietária do delivery de comida saudável Thaifit, que funciona no Rio de Janeiro, o segmento de marmitas saudáveis está em um período de expansão. “Em 2016, quando entrei nesse mercado, havia pouca concorrência. Hoje as pessoas estão cuidando muito mais da alimentação, e isso abre oportunidades para atuar nessa área”, observa.

Se você deseja conhecer mais sobre esse mercado, veja abaixo as principais informações sobre como criar um delivery de marmitas saudáveis!

SAUDÁVEIS X FITNESS

Quando o assunto é marmitas saudáveis, é importante destacar que há duas categorias:

  • Marmitas saudáveis: direcionadas a quem quer manter uma alimentação equilibrada. Contam com preparação natural; possuem o mínimo (ou nada) de corantes, conservantes, aditivos e gordura trans; têm poucas calorias e baixo teor de sódio; e podem ser consumidas todos os dias.
  • Marmitas fitness: direcionadas a pessoas que possuem objetivos estéticos, como perda de peso ou ganho de massa muscular.

Vale ressaltar que ambas são saudáveis, porém uma das opções tem um apelo muito maior à questão estética, enquanto a outra foca na melhora da saúde por meio da alimentação. “Atendo pessoas com diferentes tipos de restrição alimentar, como hipertensos, diabéticos e pessoas com colesterol alto. Com as marmitas saudáveis é possível contribuir para a melhora da saúde desses clientes por meio da alimentação”, conta Thaiz.

EMBALAGEM

Thaiz destaca a importância de unir valor nutricional, aparência e sabor no produto final: “Diz-se por aí que ‘comemos com os olhos’. Antes de ter contato com a comida, com o tempero, o cliente analisa a estética do produto. A marmita é um conjunto, e para vender bem é essencial caprichar na apresentação. É preciso haver um cuidado com a distribuição dos alimentos no pote, pesar a quantidade certa de cada alimento e ter uma atenção especial à embalagem”, explica.

Quanto à embalagem, há várias opções descartáveis disponíveis no mercado: com ou sem divisória para separar os alimentos, recicláveis, biodegradáveis, etc. É importante priorizar aquelas que são apropriadas para congelamento no freezer e descongelamento no micro-ondas e adquirir somente as opções livres de BPA (ou bisfenol A) – substância química prejudicial ao organismo que é liberada quando o produto é exposto a diferentes temperaturas.

Para aprimorar a estética da embalagem, vale a pena apostar na personalização das marmitas aplicando etiquetas com a identidade visual do seu negócio.

Academia Assaí - Como criar um delivery de comidas saudáveis
Thaiz Barde, proprietária do delivery de comida saudável Thaifit

DIVERSIFICAÇÃO

Para que os clientes não enjoem do cardápio é importante apostar na diversificação constante do cardápio, variando sempre as opções disponíveis. Thaiz explica que, neste mercado, o mais comum é comercializar as marmitas congeladas em quantidade para consumo semanal, quinzenal ou mensal para que o cliente tenha um planejamento de alimentação para toda a semana.

Diversificar também significa oferecer mais opções de produtos com o objetivo de gerar mais vendas. Neste segmento, além das marmitas, é possível comercializar caldos e sopas para o cliente substituir pelo jantar, sucos naturais e até mesmo bolos e doces saudáveis com baixo teor calórico.

ESTRUTURA BÁSICA

Para iniciar um delivery de marmitas saudáveis, não é necessário dispor de uma cozinha enorme com inúmeros utensílios. O equipamento básico é: fogão, utensílios de pequeno porte de uso doméstico (liquidificador, processador, panelas, entre outros) e uma balança de uso doméstico para fazer a pesagem das marmitas. Conforme o empreendimento for crescendo, naturalmente você perceberá a necessidade de adquirir outras ferramentas de trabalho para sua cozinha.

FORMAÇÃO

Há uma série de cursos e conteúdos disponíveis na Internet para quem deseja começar a produzir marmitas saudáveis. Se você já sabe cozinhar bem, é importante se profissionalizar e investir em aumentar o conhecimento em alimentação saudável. Para quem quiser se aprofundar ainda mais no tema, há formações mais direcionadas, como o curso de gastronomia funcional. Também é fundamental aprender sobre boas práticas de manipulação de alimentos. O Sebrae oferece um curso gratuito sobre o assunto. Clique aqui para acessar.

Thaiz Barde, no entanto, aponta a importância de buscar conhecimento sobre outros assuntos responsáveis por transformar, de fato, toda a ideia em renda. “Muita gente sabe cozinhar, mas não sabe transformar isso em negócio. É preciso estudar sobre como administrar um pequeno negócio, entender um pouco de finanças, de marketing digital, de vendas...  A internet tem um mundo de informações. Nesses quatro anos como marmiteira, 90% do que aprendi foi estudando pela Internet, e com a maioria dos conteúdos sendo gratuitos”, conta a proprietária da Thaifit.

FORMALIZAÇÃO

Ao trabalhar com alimentação é muito importante formalizar seu negócio e estar com a operação em acordo com as normas e boas práticas de manipulação dos alimentos estabelecidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pelos órgãos municipais de vigilância sanitária.

Para saber mais sobre como formalizar o empreendimento, acesse o Portal do Empreendedor. Todo o processo de registro como microempreendedor individual (MEI) também pode ser feito pelo site de forma simples e rápida. Ou, caso precise de suporte, entre em contato com o Sebrae mais próximo da sua região. 

Há uma categoria específica no enquadramento do MEI para quem deseja atuar na produção de marmitas saudáveis – Marmiteiro  independente 5620-1/04.

Vale destacar que ao fazer seu registro como microempreendedor individual você passa a ter CNPJ, ou seja, tem facilidades na abertura de conta bancária, no pedido de empréstimos e na emissão de notas fiscais, além de contar com outros benefícios, como baixo custo mensal de tributos (há cobrança de uma tarifa fixa no valor de R$58,25) e direito aos benefícios previdenciários, como aposentadoria, auxílio-doença e salário-maternidade, já que a contribuição referente ao INSS já está inclusa na taxa mensal.

Quanto à autorização para trabalhar com manipulação de alimentos, procure o órgão de vigilância sanitária do seu município para ficar por dentro de todos os requisitos. Vale ressaltar que a Anvisa não fiscaliza, mas se limita a orientar quanto às boas práticas a serem observadas. Nesse sentido, a fiscalização é feita pelas vigilâncias sanitárias municipais.

ENTREGA

Para a entrega das marmitas, Thaiz aponta três opções:

  • Fazer as próprias entregas: Tirar um dia da semana para entregar as marmitas aos clientes cobrando uma taxa por cada entrega.
  • Terceirizar para um entregador: Trabalhar em parceria com um motoboy ou outro entregador, que ficará responsável por fazer a distribuição de todas as marmitas e será remunerado com as taxas de entrega pagas pelos clientes.
  • Utilizar serviços de entrega de aplicativos de delivery: Os principais aplicativos oferecem toda a estrutura de entrega e até mesmo de pagamento, sendo que o empreendedor não precisa se preocupar com nada. O ponto negativo é que as taxas pagar por pedido costumam ser altas.

“Fazer as próprias entregas – ou contar com um familiar para fazer isso – pode ser um ótimo caminho de início. A terceirização para um entregador também funciona bem, principalmente quando já há um bom volume de pedidos. Quanto aos aplicativos, um ponto forte é que o alcance é enorme, e se o negócio está dentro da plataforma está sendo visto, então funciona também como um meio de divulgação. Mas o empreendedor precisa calcular bem as taxas e ver se não vai encarecer muito a absorção da taxa ou o repasse desse valor para o cliente”, explica Thaiz.

Gostou das dicas? Se você deseja levar a sério a ideia de montar um delivery de marmitas saudáveis, aproveite para fazer a trilha de cursos Vendas por Encomenda, disponível gratuitamente no Portal Academia Assaí Bons Negócios!

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