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Valter Bispo - Criador do jogo Acarajé

Acarajé: jogo de tabuleiro homenageia as baianas de acarajé

Postado em: 25 de March de 2026 às 17:20 Por Redação

Muito além de um simples jogo, Acarajé se transforma em uma ponte entre cultura, memória e representatividade. 

No tabuleiro, tradição e criatividade se encontram para valorizar saberes afro-brasileiros.

Criado pelo designer gráfico Valter Bispo, o jogo destaca o protagonismo das baianas de acarajé e a riqueza simbólica de um dos maiores patrimônios da culinária brasileira.

Nesta entrevista, você vai entender como surgiu a ideia, os desafios do processo criativo e o impacto de transformar cultura em uma experiência lúdica e educativa.

Confira!

 

Acarajé: quando cultura vira experiência

 

Jogo Acarajé

 

A ideia do jogo surgiu de uma inquietação. Valter percebeu que muitos jogos exploram culturas estrangeiras, mas poucos olham para o Brasil.

 

“Quase não há títulos que representem e valorizem a nossa própria cultura”, explica.

 

Foi aí que nasceu o projeto. Depois de trabalhar com música em um jogo anterior, ele decidiu mudar o foco. Agora, a escolha era a culinária.

O acarajé, nesse contexto, ganha um novo papel: além de comida, vira história contada em forma de jogo.

 

Baianas de acarajé: representatividade que importa

 

Logo no primeiro contato com o Acarajé, algo chama atenção: todas as personagens são mulheres negras.

Essa escolha não é por acaso. 

 

“Romper com representações eurocêntricas é colocar os jogadores em novos papéis”, afirma o criador.

 

Aqui, você vivencia outra perspectiva. E isso muda a experiência.

 


 

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Tradição que se aprende jogando

 

Ao longo da partida, os elementos do preparo aparecem de forma natural.

Ingredientes, combinações e etapas fazem parte da dinâmica.

Sem perceber, você aprende que o acarajé é feito com:

 

  • Feijão-fradinho
  • Azeite de dendê
  • Cebola e sal
  • Recheios variados

 

Tudo isso transforma o jogo em uma forma leve de contato com um patrimônio cultural vivo.

 

O jogo Acarajé e o empreendedorismo na prática

 

Existe outro ponto importante nessa história. O Acarajé também fala sobre trabalho, autonomia e construção de renda.

As baianas representam um modelo real de empreendedorismo feminino negro, baseado em tradição e conhecimento passado de geração em geração.

No jogo, essa vivência aparece de forma simples e direta. 

 

“Cada jogador é uma baiana andando pelas esquinas à procura de ingredientes para fazer acarajé e conquistar clientes”, explica Valter.

 

É uma dinâmica que aproxima o jogo da vida real. E faz você enxergar o negócio por trás da tradição.

 

Entre diversão e aprendizado

 

Valter resume bem a proposta do Acarajé: “nos jogos, o aprendizado é um efeito colateral da diversão”.

E isso fica evidente. Você não precisa estudar para entender. Basta jogar.

Por trás dessa leveza, existe muito cuidado. O criador buscou referências, conversou com pessoas da área e se aproximou da cultura.

 

“Passei a visitar as barracas das baianas e comer acarajé sempre que possível”, conta.

 

Uma ideia que inspira novas possibilidades

 

O jogo Acarajé mostra que a tradição não precisa ficar presa ao passado. Ela pode ser reinventada, ressignificada e apresentada de novas formas.

Ao transformar cultura em experiência, o jogo abre espaço para novas ideias. E deixa um recado importante: valorizar o que é local pode ser um grande diferencial.

Seja na cozinha, no atendimento ou na forma de apresentar um produto, sempre existe espaço para contar histórias.

 


 

O jogo Acarajé é uma forma de enxergar a cultura brasileira com mais atenção e respeito.

Ao longo da experiência, você se diverte, aprende e se conecta com histórias que fazem parte do dia a dia de muitas pessoas.

No fim, fica a mensagem do próprio criador: “a nossa cultura é rica demais para não ser representada”.

E talvez esse seja o maior valor do jogo: lembrar que tradição também pode ser inovação.

 

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