Afronegócio

TupiOcas: ancestralidade, inovação e representatividade
Postado em: 07 de Abril de 2026 às 13:18 Por Redação
A TupiOcas, do Chef Benício Paiva (Chef Bê), é um negócio de massas saborizadas que traz inovação e representatividade na gastronomia sem abrir mão da ancestralidade.
Homem trans afro-indígena, Chef Bê criou a TupiOcas a partir de uma tradição familiar: usar a integralidade dos alimentos.
Hábito este que foi cultivado desde os 8 anos e, mais tarde, se tornou um negócio de sucesso.
Quer conhecer um pouco mais sobre a história de Chef Bê e a TupiOcas? Confira a entrevista a seguir!
TupiOcas: ancestralidade

Academia Assaí: Chef Bê, como a ancestralidade da sua família moldou o seu trabalho com tapioca?
Chef Bê: O meu olhar pela gastronomia nasce numa tradição familiar muito forte: a ancestralidade da minha família me moldou no que tange à sobrevivência.
Eu venho de uma descendência afro e indígena, de povos que resistiram, que sofreram diversas situações históricas de invasão e sequestro.
Minha ancestralidade teve que se reinventar em muitos momentos para poder sobreviver e resistir. Comigo não foi diferente.
Com 8 anos de idade, eu já aproveitava o restinho do suco de beterraba com cenoura e tomate que minha mãe fazia para complementar meu tratamento de falta de ferro no organismo.
Quando sobrava um pouco daquele suco, eu misturava com a fécula da mandioca. A minha primeira tapioca colorida foi de beterraba. Eu busco na biblioteca ancestral da minha família, da minha ancestralidade, o que eu não sei.
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Academia Assaí: A tapioca é um alimento com raízes indígenas e presente na culinária popular brasileira há séculos. Como você dialoga com essa história na hora de criar novas receitas e sabores?
Chef Bê: A tapioca é um conhecimento ancestral combinado com um conhecimento dos povos vindos da África.
Desde sempre, os originários fizeram beiju. A tapioca é um complemento, digamos assim, do conhecimento ancestral e de diáspora africana, das mulheres africanas, que vendo ali o trato da tapioca e do beiju das indígenas, associaram a outras alimentações que elas já faziam na África.
E elas deram o seu toque, mas não se apropriaram disso: a comunidade negra nunca se apropriou da contribuição. E eu, hoje, trago essa fala com propriedade, porque eu sou descendente de afro e indígena.
Para criar novas receitas, eu deixo minha ancestralidade afro-indígena performar. Quando eu estou cozinhando, eu sinto um prazer, uma alegria, uma paz tão grandes. Acredito que é essa herança ancestral afro-indígena que eu tenho e me permite fazer isso, essa co-criação de massas e recheios.
Inovação

Academia Assaí: Como você equilibra tradição e inovação nas suas receitas?
Chef Bê: Minha premissa é a honra que eu tenho, a tradição da alimentação originária e o amor e a gratidão também que eu trago: gratidão pelos que vieram antes e me deram a oportunidade de eu estar aqui evoluindo.
Com acesso ao conhecimento, eu tive condições de fazer essa inovação do qual se chama complementar - complementar ao tradicional.
Eu honro o que é tradicional, o que vem das minhas origens indígenas e afro, por isso que o meu negócio se chama TupiOcas - tapiocaria gourmet. Eu não descaracterizo nada e sempre na minha fala eu ressalto que a minha tapioca vem da tapioca tradicional.
Representatividade na TupiOcas

Academia Assaí: Nas suas entrevistas você menciona que o negócio promove impacto social. Como isso se dá e como essa escolha se reflete no dia a dia da TupiOcas?
Chef Bê: Acredito que todo negócio deva promover o Impacto social e, na TupiOcas, essa prática é natural e orgânica. Promovo inclusão porque já fui excluído, sei como dói na alma e quanto isso é ruim destrutivo para uma pessoa. Então, trago para trabalhar: pessoas trans, afro, indígenas e 50+.
Além de dar oportunidade para essas pessoas, também aprendo muito. É uma troca, onde todos nós ganhamos e ainda promovemos renda digna, servindo alimentação ancestral, brasileira, saudável com inovação complementar e sustentabilidade.
Academia Assaí: De que forma você gostaria de ver outras pessoas negras, indígenas e trans ocupando espaços no empreendedorismo gastronômico no Brasil?
Chef Bê: Primeiro, com mais oportunidade para cada indivíduo, e que essas oportunidades venham recheadas de equidade. Porque muito se fala em dar oportunidade para pessoas como eu, mas não sabem quais são minhas limitações.
Existem muitas pessoas negras, indígenas e trans tão talentosas e necessárias no Brasil, que infelizmente estão às margens da sociedade. Sonho em ver essas pessoas bem, seguras, sendo respeitadas, se alimentando bem, sendo bem remuneradas por servir um produto ou serviço digno, que traga a elas e à sociedade orgulho e paz.
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