Empreendedorismo

Negócio familiar: juntas, mãe e filhas constroem um sonho

Postado em: 07 de Maio de 2021 às 08:00 Por Redação

Afeto, respeito e união são características com muito significado em um negócio familiar. Além disso, é preciso saber separar as questões pessoais e profissionais. Quer entender mais sobre esse assunto? Acompanhe a leitura!

Empreender em família é uma realidade comum entre os brasileiros, porém, para conseguir gerenciar um negócio familiar, é importante separar a relação afetiva da profissional, a fim de que as decisões sejam tomadas de maneira eficiente, beneficiando o faturamento e o crescimento do negócio.

É claro que existem características valiosas da relação familiar que podem ser levadas em consideração durante a formação de um empreendimento: o respeito pela opinião do outro, a experiência adquirida ao longo da vida, a dedicação incessante a algo que queremos ver bem e amamos e o carinho e o afeto que há entre a relação materna, por exemplo.

Muitas mães e seus filhos têm se unido para montar o próprio negócio, visando a mais autonomia financeira ou realizar um sonho, entre outros motivos, como é o caso do Midispache, restaurante de comida caseira nordestina fundado em 2017 por Géssica Oliveira: a ideia do negócio veio por conta do desemprego.

“Desempregadas, tivemos a ideia de abrir um negócio em casa. A ideia inicial era vender nossos pratos em uma banquinha no ponto de ônibus aqui perto. Mas avaliamos o custo de compra da barraca, o que precisaríamos gastar com um ajudante e o prejuízo que teríamos em dias chuvosos. Assim, a possibilidade mostrou-se completamente fora da realidade. Como também não tínhamos condições de investir em um espaço, adaptamos nossa casa para montar o restaurante.”

 

Midispache: definindo o nome de um negócio familiar

Se você é da Bahia ou conhece bem a região e a população local,  já sabe que Midispache é uma expressão para “me atende aqui, por favor". O nome é uma homenagem à vendinha que dona Rosa, avó de Géssica, tinha em casa, na qual vendia de tudo um pouco. 

“Assim como muitas quitandas aqui na Bahia, a de minha avó não tinha nome, mas as pessoas sempre chamavam "Me despache" – e aí foi ficando esse nome. Dessa forma, surgiu o Midispache, que, antes, era uma quitanda e, hoje, é um restaurante de comida nordestina”, comenta Géssica.

 

Comida acolhedora como um abraço de mãe

Tropeiro de mainha: banana da terra à milanesa com feijão tropeiro.

Tudo o que é feito com amor e dedicação fica melhor e, no caso da gastronomia, essa afirmação é representada pelo sabor, pelas cores e pelo preparo do prato. No comando da cozinha, está dona Marinalva, mãe de Géssica e responsável pelo preparo dos pratos. 

“Dialogamos muito sobre tudo no negócio: gestão de pessoas, gestão de estoque, gestão financeira, apresentação de pratos, etc. Minha mãe é responsável por cozinhar, pela preparação dos pratos e pela produção dos alimentos. Já eu fico com a parte da administração no geral – e também auxilio na cozinha”, afirma Géssica.

A baiana ainda conta que ela e sua mãe assumiram uma missão, que é oferecer aconchego e história em cada prato: a história de um empreendimento feito por mulheres pretas, construído e gerenciado por mãe e filha, inspirado na representatividade afro-baiana.

“Logo no início, não tínhamos a capacitação que temos hoje e, por isso, acho que a nossa história refletiu bastante na construção do negócio, porque, mesmo sem capacitação, a gente já seguia o propósito da empresa e nosso atendimento sempre é elogiado por ser muito familiar”, completa.

 

Como devem ser tomadas as decisões em um negócio familiar

Como dissemos no início do material, para lidar com a gestão de um negócio familiar, é fundamental que as decisões sejam tomadas com base no que é melhor para o crescimento do empreendimento, deixando de lado a hierarquia que existe em uma relação entre mãe e filha.

“Trabalhar com alguém que compartilha os mesmos ideais e a vontade de crescer junto e ter a certeza de poder contar um com o outro nos melhores e piores momentos são certamente dois dos melhores aspectos de se ter um negócio familiar. Nesse sentido, também sinto que é importante separar as relações, a fim de que os conflitos pessoais não interfiram no ambiente de trabalho”, afirma Géssica.

 

Mudanças decorrentes da pandemia

Antes da pandemia, o negócio familiar entre mãe e filha já tinha crescido tanto que a solução para aumentar o espaço de atendimento foi usar a própria casa exclusivamente para o restaurante e alugar um apartamento para moradia. Porém, com todas as restrições e as mudanças no funcionamento do negócio, foi preciso agilidade para reformular o modo como o Midispache atuava.

A profissional afirma que uma das soluções foi readequar as porções no cardápio e no atendimento por delivery. “Adaptamos nosso cardápio para delivery, reduzimos as porções para incluir o custo das embalagens e investimos em delivery próprio. Hoje, já dominamos esse formato de atendimento e somos uma referência para alguns empreendimentos.” 

 

Qual é o significado do Dia das Mães em um empreendimento materno?

Embora o Dia das Mães seja uma grande data comemorativa para o comércio brasileiro, no Midispache, ela tem um significado que vai além de obter boas vendas.

“Passamos por muitas coisas juntas, muitas dificuldades, muita humilhação e, hoje, estamos dando a volta por cima. Minha mãe é minha maior amiga, meu amparo, meu porto seguro. É por ela que eu não desisto e é por ela que quero ir sempre além.

Hoje, posso oferecer um pouco de conforto à minha mãe, graças ao empreendimento que idealizamos juntas. Construir isso ao lado de mainha é enfrentar as batalhas do mundo inteiro e saber que tenho um lugar pra voltar – o colo de mãe”, finaliza a empreendedora.

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